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Hipertensão na gestação - Classificação e prognóstico
Em 01/11/2006 por Cristiane Alves de Oliveira.
Laudelino Marques Lopes.

A hipertensão é a complicação clínica mais comum da gestação, sendo uma das principais causas de morbimortalidade perinatal e materna, acometendo 10 a 22% das gestações. Uma estimativa mundial demonstrou que 600.000 mulheres morrem a cada ano por causas relacionadas à gestação, sendo que 99% destes óbitos ocorrem em países em desenvolvimento (OMS, 1996). A etiologia da hipertensão arterial que complica a gestação ainda é desconhecida. A pré-eclampsia pode se manifestar tanto como uma síndrome materna, caracterizada por hipertensão e proteinúria com ou sem outras anormalidades sistêmicas, quanto como uma síndrome fetal, caracterizada por crescimento intra-uterino restrito, redução do volume de líquido amniótico e hipoxemia.

As síndromes hipertensivas que acometem a gestante são habitualmente classificadas em:

  • Hipertensão gestacional pressão arterial ? 140 x 90mmHg diagnosticada pela primeira vez na gestação, com ausência de proteinúria e retorno aos níveis tencionais normais até 12 semanas após o parto;
  • Pré-eclampsia pressão arterial ? 140 x 90mmHg diagnosticada após 20 semanas de gestação associada à proteinúria ? 300mg/24 horas;
  • Hipertensão arterial crônica pressão arterial ? 140 x 90mmHg diagnosticada antes da gestação ou com idade gestacional menor que 20 semanas não-atribuída à doença trofoblástica gestacional; ou pressão arterial ? 140 x 90mmHg diagnosticada após 20 semanas de gestação que persiste após 12 semanas de pós-parto;
  • Eclampsia presença de convulsão, que não pode ser atribuída a outras causas, em mulheres com pré-eclampsia;
  • Pré-eclampsia sobreposta surgimento de proteinúria ? 300mg/24 horas em paciente hipertensa que não apresentava proteinúria antes de 20 semanas de gestação ou aumento importante da proteinúria, da pressão arterial ou plaquetas < 100.000/mm3 em gestante hipertensa com proteinúria presente antes de 20 semanas de gestação.

As síndromes hipertensivas na gestação diferem quanto à prevalência, gravidade e efeitos sobre o feto.

A prevalência de hipertensão gestacional em pacientes nulíparas é 6 a 17%, sendo 2 a 4% em pacientes multíparas. Em 20-50% das pacientes com hipertensão gestacional há progressão para pré-eclampsia, ou seja, há desenvolvimento de proteinúria podendo a mesma se desenvolver antes ou após o parto.

A prevalência de pré-eclampsia é normalmente descrita como 5 a 8%, apresentando amplas variações na literatura. Em gestação gemelar a prevalência de pré-eclampsia é de 14%, podendo chegar a 40% em pacientes com história de pré-eclampsia em gestação prévia.

A hipertensão arterial crônica acomete cerca de 5% das gestações, sendo considerada como fator de risco para a pré-eclampsia. A taxa de pré-eclampsia sobreposta em pacientes hipertensas crônicas é 15 a 25%.

A maioria dos casos de hipertensão gestacional/pré-eclampsia leve se desenvolve próximo ao termo e apresenta taxas de mortalidade e morbidade perinatais similares àquelas observadas em pacientes normotensas.

A hipertensão gestacional/pré-eclampsia grave é potencialmente a que apresenta pior prognóstico materno-fetal.

Conceptos de mães com pré-eclampsia ou pré-eclampsia sobreposta têm maiores riscos de prematuridade, de nascerem pequenos para a idade gestacional (PIG), de necessitarem de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) neonatal e de suporte ventilatório e maiores taxas de mortalidade perinatal quando comparados aos conceptos de mães normotensas.
A piora do prognóstico materno-fetal está diretamente relacionada à gravidade da hipertensão gestacional/pré-eclampsia.

Em pacientes com hipertensão arterial crônica, a presença de pré-eclampsia sobreposta é a maior responsável pela piora da morbi-mortalidade perinatal, havendo também maiores taxas de resultados perinatais adversos em pacientes com hipertensão arterial crônica grave e não-controlada.

Dentre as complicações maternas que podem ocorrer em gestantes com pré-eclampsia grave podemos citar: descolamento prematuro de placenta (1-4%), coagulopatia disseminada/ síndrome HELLP (10-20%), edema pulmonar (2-5%), insuficiência renal aguda (1-5%), eclampsia (1%), falência ou hemorragia hepática (1%). Dentre as complicações fetais, destacam-se: parto pré-termo (15-67%), crescimento intra-uterino restrito (10-25%), dano neurológico/hipoxia (1%) e óbito perinatal (1-2%).

Apesar dos avanços na área de terapêutica e diagnósticos perinatais, a incidência de pré-eclampsia tem se mantido constante, havendo muito ainda para se estudar a respeito da predição, prevenção e conduta da mesma. A melhor conduta continua sendo pré-natal adequado para que possa ser feito o diagnóstico a tempo com tratamento e parto sendo indicados adequadamente e a tempo de evitar maiores complicações maternas e fetais.




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