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Ultrassonografia de primeiro trimestre para detecção de anomalias cardíacas congênitas graves
Em 21/08/2009 por Alexandre Bógus, Bruno Derbli e Laudelino Marques Lopes

Aproximadamente 1% dos nascimentos são complicados por cardiopatias congênitas, das quais, pelo menos metade são doenças cardíacas maiores que necessitam de cirurgias (corretivas ou paliativas) após o nascimento. Atualmente, a ecocardiografia fetal é feita de rotina durante o pré-natal, a fim de rastrear cardiopatias congênitas. O exame baseia-se na avaliação do corte quatro câmaras, dos grandes vasos e do arco aórtico do feto. A sensibilidade e a especificidade desse tipo de avaliação é variável. Entretanto, quando realizada por examinador experiente, a ecocardiografia no segundo e terceiro trimestres podem detectar aproximadamente 85% das cardiopatias congênitas maiores, até mesmo nas populações de baixo risco. Com o desenvolvimento tecnológico da ultrassonografia, tornou-se muito mais viável a visualização tanto do corte quatro câmaras como dos tratos de saída dos grandes vasos cardíacos muito mais precocemente, a partir de 14 semanas. A medida que o rastreio de aneuploidias entre 11 e 13 semanas se difundiu, vários estudos mostraram que poderia ser possível a detecção de muitas malformações estruturais no feto na mesma época e que, possivelmente, haveria relação entre a presença de cardiopatias e o aumento da translucência nucal. Rasiah e col. procuraram citações relevantes na bibliografia em geral e dados sobre o assunto entre artigos de referência e revisões. Os estudos onde constavam “exames de ultrassom do primeiro trimestre para detecção de anomalias cardíacas congênitas graves” foram incluídos e posteriormente checados de acordo com um padrão de referência. Os dados foram colhidos para cálculo de sensibilidade e especificidade. Dez estudos, contendo 1.243 pacientes, foram selecionados para inclusão nesta revisão. Entre estes estudos, quatro usaram a via transabdominal, quatro usaram a via transvaginal e dois usaram ambas as vias. A sensibilidade e especificidade do conjunto dos estudos foram de 85% e 99%, respectivamente. Curiosamente, ultrassonografia transabdominal parece ser mais sensível no diagnóstico comparado com a abordagem vaginal. Infelizmente, vários estudos incluídos na análise não apresentaram qualidade adequada em sua metodologia, o que pode comprometer a análise crítica dessa revisão, pois podem exagerar no valor do teste. No entanto, os resultados dos estudos de alta qualidade foram consistentes com os resultados globais. O estudo concluiu que é viável empreender uma varredura ultrassonográfica no primeiro trimestre com suficiente precisão para avaliar a anatomia cardíaca. Sabe-se que o corte quatro câmaras e as vias de saída do coração podem ser vistos em mais de 90% de casos acima de 13 semanas de gestação. Portanto, é factível que a ultrassonografia do primeiro trimestre detecte a maioria das anomalias cardíacas congênitas graves e exame deve ser oferecido às gestantes que apresentem fetos com alto risco para anomalia grave. Todavia, todas estas técnicas estão limitadas a poucos centros especializados e com examinadores experientes . O Grupo Perinatal, através do Serviço de Ecocardiografia Fetal, está oferecendo como complemento ao nosso programa de rastreio de aneuploidias de primeiro trimestre a ecocardiografia fetal precoce, realizada pela via transvaginal e complementada pela via transabdominal. Mais um exame não invasivo oferecido às gestantes com risco acima de 1:250 auxiliando e complementando o aconselhamento genético pré-amniocentese. REFERÊNCIA RECOMENDADAS S.V.RASIAH, M.PUBLICOVER, A.K.EWER, K.S.KHAN, M.D.KILBY and J.ZAMORA: A systematic review of the accuracy of first-trimester ultrasound examination for detecting major congenital heart disease. Ultrasound Obstet Gynecol 2006; 28: 110–116. CHAOUI, R.; JEANTY, P.; MEIZNER, I.; NICOLAIDES, K.; PALADINI, D.; PILU, G.; ROMERO, R.; THILAGANATHAN, B.; TUTSCHEK, B. and XIMENES, R.: Congenital Anomalies & Fetal Echocardiography. ISUOG Course on Congenital Anomalies & Fetal Echocardiography. London, 2008. CARVALHO, S.R.M.: Ecocardiografia fetal no primeiro trimestre de gestação. Dissertação de Mestrado – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto, 2006. ISUOG Guidelines: Cardiac screening examination of the fetus: guidelines for performing the ‘basic’ and ‘extended basic’ cardiac scan. Ultrasound Obstet Gynecol 2006; 27: 107–113. ATZEI, A.; GAJEWSKA K.; HUGGON, I.C.; ALLAN, L. and NICOLAIDES, N.: Relationship Between nuchal translucency thickness and prevalence of major cardiac defects in fetuses with normal karyotype. Ultrasound Obstet Gynecol (in press) Published online in Wiley InterScience (www.interscience.wiley.com).


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